EXPOSIÇÕES
CUBA ME ENCANTA
Abertura:
28 de outubro de 2011
Para ser fotógrafo é preciso viver a fotografia. Ela não pode ser um ato do "de vez em quando". Não se pode fotografar seriamente sem levar a sério as implicações do ato fotográfico.
Contudo, a fotografia deve estar ligada ao prazer estético e não a uma obrigação. Ela serve para ampliar nossos horizontes. A cada pedaço deste mundo representado por uma fotografia aprendemos de que matéria intangível se constrói a nossa complexa sociedade.
Pelas ruas de Havana aprendi um pouco mais do mundo. Lá, fotografando entre amigos do Omicron, vi aquilo que apenas tinha ouvido falar. Senti aquilo que apenas quem vê pode sentir.
Nada era teoria. Os sorrisos, as falas, as pessoas e suas memórias da revolução, a música, a sensualidade do povo e, não poderia deixar de citar, as complexas condições da ilha.
Guardo em meu arquivo imagens formadas pela emanação luminosa destes dias em Havana. Talvez somente agora "a ficha esteja caindo" e eu começo a perceber que estivemos juntos numa jornada ao interior de nossos sentimentos. Estivemos lá, longe de nosso confortável cotidiano, longe dos pequenos problemas e de nossas vidas pequena burguesas. Lá pude encontrar a razão pela qual eu fotografo e ensino a fotografar: paixão.
Ainda posso sentir o sol escaldante arrancar de meus poros muito suor. Ainda posso sentir o peso de uma Hassel e seu estrondoso espelho anunciando mais uma foto tirada. Ainda posso sentir a dúvida entre virar nesta ou naquela esquina, entrar nesta ou naquela casa?
Mas não adianta apenas sentir...não. É preciso viver em plenitude. E foi o que fizemos em Cuba com nossas câmeras e nossos ansiosos corações de fotógrafos.
Parabéns alunos do Omicron Centro de Fotografia que me acompanharam nesta corajosa aventura de viver e não apenas sentir que se vive.
Aos que não puderam nos acompanhar desta vez nesta jornada, compartilho nossos cliques na exposição Cuba Me Encanta.
Osvaldo Santos Lima
Diretor Omicron Centro de Fotografia



